Algumas histórias não atrasam.
Elas pedem silêncio antes de serem contadas.
Essas fotos demoraram. É verdade.
Mas não foi por descaso, nem por acúmulo de trabalho apenas.
Toda vez que sentávamos para editar, a gente voltava para aqueles dias.
E não voltava como editor, voltava como quem viveu.
O casamento do Hosyres e da Rafaele não foi um evento isolado.
Foram dias. Intensos. Reais.
Começou numa despedida de solteiro que atravessou 12 horas e mais de 12 bares, atravessou copos, risadas, histórias e exaustão. Depois veio um dia de pausa, quase como o silêncio antes do mergulho.
E então veio o casamento.
E que casamento.
Eles esperaram muito por esse momento. Aproximadamente 25 anos.
Talvez por isso tudo tenha sido tão carregado de sentido.
A semana foi fria. Muito fria. Chuvosa.
Havia uma ansiedade por um pouco de sol.
E ele veio.
Abriu exatamente na cerimônia, como se o tempo tivesse entendido que aquele instante precisava ser respeitado. Foi simples, foi belo, foi deles.
No meio de tudo isso, vieram os votos.
E ali ficou claro e “iluminado” que aquilo não era só um casamento, era uma narrativa inteira sendo dita em voz alta.
Olá, muito prazer meu nome é Hosyres.
Essa é uma frase que eu nunca falei pra você, pois nossos caminhos se cruzaram logo na infância e desde então já se foram 25 anos.
Enquanto crianças nunca passou em nossas cabeças que um dia nos casaríamos, que seríamos pais e nos tornaríamos uma família, não nessa ordem mas somos tudo isso.
Naquele tempo éramos esquisitos, feinhos e estranhos, mas por conta do karatê e do projeto sempre estivemos próximos. Você é muito louca, desastrada e às vezes uma cavala e é isso que nos torna o casal perfeito, pois dizem por aí que os opostos se atraem. E eu que gosto de entender tudo e me inteirar sobre todos os assuntos, com você eu fico sem saída, pois na nossa equação eu mais você somos um e eu sem você sou nada.
Sinceramente eu acredito que nossos destinos estavam traçados, fosse em qualquer época ou universo. Nossa união é cinematográfica do tipo que faz quem assiste torcer e querer ser como o casal que protagoniza, temos a paixão intensa de Jack e Rose, a diversão dos filmes de Adam Sandler, adrenalina de Sr. e Sra. Smith até um pouquinho de um tal de Christian e Anastasia.
Por você eu não iria a pé do Rio a Salvador, não tomaria banho gelado no inverno, mas sairia na porrada com um urso faminto, por você eu mato e morro, eu te amo tanto.
Adoro seu jeito, adoro a maneira que você pula e sapateia e dá uns gritinhos antes de dormir nos dias frios, adoro suas panquecas e estrogonofe, adoro sua dedicação para tudo que se propõe a fazer, adoro quando você mexe no meu cabelo, adoro quando coça minhas costas, adoro nossa liberdade para falar sobre assunto, adoro quando você fica comigo quando estou cozinhando e você olhando, eu amo você.
Com você eu me sinto forte, me sinto capaz, me sinto feliz. E na nossa brincadeira de tornar meu currículo extenso, onde sou fotógrafo, cozinheiro, mecânico, eletricista, encanador, veterinário, enfermeiro, médico, campeão de pesca, pai, sempre faltou uma coisa.
Muito prazer, meu nome é Hosyres e eu sou seu marido.
Eu te amo, amo nossa família.Hosyres Xavier, (Noivo)
Hosyres falou de infância, de esquisitice, de destino, de amor sem romantização vazia. Falou de cotidiano, de panqueca, de cabelo bagunçado, de silêncio compartilhado. Falou de parceria.
Falou de ser um e de não ser nada sozinho.
Falou de ser marido.
Essas fotos carregam isso.
Não são só registros. São vestígios de algo que foi vivido de verdade, por eles e por nós.
Talvez por isso a entrega tenha demorado.
Porque algumas histórias não aceitam ser tratadas com pressa.
Agora elas estão aqui.
Do jeito que precisavam estar.
—
Justen, Diego e Frank





































































































